quarta-feira, 15 de abril de 2015

ABORTO


No Brasil, o aborto é considerado crime a despeito de protestos e projetos de lei para sua legalização. E nem exemplos de outros países com estatísticas favoráveis, conseguiram convencer as bancadas conservadoras.

A descriminalização aconteceria em caso de estupro. Contudo ainda há muita burocracia, constrangimento, e preconceito. Mesmo a definição de estupro é nebulosa. Como definir os limites entre consentimento e abuso em situações cotidianas: abordagens e cantadas em locais públicos, investidas em pessoas alcoolizadas, tratamento diferenciado baseado na aparência física e/ou vestuário, etc. Como estamos educando homens e mulheres nesses quesitos? A sexualidade precisa ser discutida. Espaços de diálogos para tal fim devem ser abertos e democratizados.






Muitos aspectos devem ser considerados quando se trata de aquisição/negação de direitos. Uma vez que cultura, religião, conceitos de cidadania, democracia, estado laico, etc., influemmuito nas dinâmicas políticas. E infelizmente, não aprendemos nada disso na escola.

 Varela comentou em um artigo:
“As mulheres já abortam, independentemente do que pensemos. Segundo o IAG, Instituto Alan Guttmacher, entidade americana que estuda a questão do aborto no mundo, cerca de 1 milhão de mulheres abortam no Brasil todos os anos.”

1.000.000 de mulheres por ano. (!) Será que são todas feministas? Ateias? Deveriam todas ser algemadas, sentar no banco dos réus e ser julgadas e presas? (junto com os adolescentes de 16 anos).

Partindo do princípio que vivemos em uma democracia, gerida por um Estado laico. A democracia deve proteger a liberdade humana baseando-se no governo da maioria, associado aos direitos individuais e das minorias. Ou seja, não é um governo para uma parcela da população. Estado laico, por sua vez, significa um país ou nação com uma posição neutra no campo religioso, imparcial em assuntos religiosos, não apoiando ou discriminando nenhuma religião.

A Constitução Federal determina:
 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao poder público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado.

Se 10 milhões de mulheres abortam por ano, no Brasil, em clínicas clandestinas, sem acesso à saúde - pois o médico se nega a atendê-la - quantas delas sobrevivem? Nem temos como contabilizar, o que é marginalizado é ignorado. 

O aborto é uma questão séria de saúde pública. Com a legalização do aborto, políticas públicas educativas, estudos, pesquisas e estatísticas seriam feitos. O espaço para o diálogo e prevenção seria aberto, o tabu seria quebrado, não leriamos mais notícias tristes como esta:
http://oglobo.globo.com/rio/corpo-carbonizado-encontrado-em-guaratiba-de-gravida-que-sumiu-ao-sair-para-fazer-aborto-14026297

O Uruguai, após muitas manifestações, legalizou o aborto recentemente e já registra uma enorme queda no número de abortos no país. Que realizava cerca de 30 mil abortos por ano, agora está na média de 3.600.



Ainda estamos negando a 10 milhões de mulheres o direito à saúde garantido pela constituição. Ser contra o aborto é uma questão pessoal, geralmente religiosa. Entretanto, questões pessoais não ditam ao coletivo. Cidadania é pensar coletivamente, respeitando-se e tolerando-se as diferenças de opinião. como diria o filósofo: "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". O outro não merece morrer por pensar diferente de você. VOCÊ PODE SER CONTRA O ABORTO E SER A FAVOR DA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO!






























A sexualidade oprimida pelos paradigmas machista é o cerne da questão. O incentivo nada igualitário à liberdade e ao desenvolvimento sexual, segundo papéis de gênero predeterminados. A responsabilização masculina em uma gravidez não desejada, uso da camisinha, preconceito sofrido pela mulher que a porta consigo.

Esta postura truculenta com relação ao aborto só reforça a punição à mulher que vive sua sexualidade. E ela se vê totalmente responsabilizada por uma sociedade hipócrita que só tem relações sexuais para procriar.

Aborto: 10 motivos para legalizar
Por Drauzio Varela
1. Se o aborto fosse legalizado, o governo teria oficialmente o número de abortamentos, poderia controlá- los e saberia onde tem mais ou menos abortos para tentar diminuir este número. Se o aborto é crime não se tem controle, o número de abortos não diminui, mais mulheres morrem, mais pessoas são presas e o governo não pode fazer nada para mudar isso.

2. Em todos os países ocidentais em que o aborto foi legalizado há anos, observa-se cada vez mais uma diminuição do número de abortos. Quando se legaliza, fala-se mais sobre o assunto aumentando a informação para poder evitar.

3. Em quase nenhum país ocidental em que o aborto é legalizado, ele pode ser feito após 3 meses de gestação. Portanto, essas fotos que mostram abortamentos de bebês grandes e formados são enganadoras. Não será permitido aborto após 3 meses de gestação!

4. As clínicas clandestinas lucram muito no comércio ilegal de abortamentos, que é sustentado por pessoas ricas

5. Se o aborto for legalizado nenhuma mulher será obrigada a abortar. Quem é contra poderá manter sua opinião.

6. Legalizar o aborto não é incentivar o aborto. Junto com a legalização, o Estado vai reforçar campanhas de educação sexual, direitos sexuais e reprodutivos, aumentar o acesso de mulheres e homens para os métodos contraceptivos, como também aos métodos de uma gravidez saudável. Abortar não é algo prazeroso, mas se alguma mulher precisar fazer, que ela não seja presa e tenha assistência para isso.

7. Se você pensa que a legalização do aborto vai encher os hospitais de milhares de mulheres querendo abortar, não sobrando espaço para as que querem dar à luz, isso é mentira. Os hospitais já estão cheios e gastando com mulheres que abortaram na clandestinidade e quase morreram por causa disso. Isso sai muito mais caro para os hospitais.

 8.  Se você pensa que com a legalização do aborto, você mata 1 vida, com a criminalização do aborto você mata mais vidas: a do feto e a de milhares de mães que morrem tentando o processo de abortamento.

9. A legalização não defende que abortar é bom. Se você pensa que abortar é ruim, abortar na clandestinidade, ser presa ou até morrer é muito pior.

10. Ser contra o aborto é decidir por você. Ser contra a legalização do aborto é decidir por todas. Ser contra o aborto é não achar certo fazer um aborto. Ser contra a legalização do aborto é ser a favor da morte de milhares de mulheres.

Seguem mais links a respeito e um documentário feito com depoimentos de mulheres, muito corajosas, sobre suas experiências. É muito emocionante. Assista!

https://28diaspelavidadasmulheres.wordpress.com/2014/09/28/documentario-clandestinas/






http://www.brasilpost.com.br/tayna-leite/sobre-o-abortoe-o-eduardo_b_6661316.html